3 armadilhas de investimentos: pirâmide, esquema Ponzi e bolha financeira

Escrito por: - Publicado em: 23/09/2021

Na mídia tem se divulgado sobre empresas de investimentos falsas, as quais tem levado diversas pessoas a perderam boa parte ou senão todo o seu patrimônio. Em outros casos divulga-se e debate-se sobre o efeito bolha em alguns investimentos, os quais também levam a perda de dinheiro.

 

Mas, o que acontece nestes investimentos? Como não cair nestas ciladas? Vou explicar as três principais armadilhas dos investimentos que podem te levar a perder seu patrimônio.

 

Pirâmide financeira

 

Você já foi convidado para participar de uma palestra sobre investimentos, onde foi prometido que, além do retorno normal dos investimentos, você terá uma remuneração sobre o investimento realizado pelas pessoas por ti indicadas? Cuidado, é muito provável que você esteja entrando em um esquema de pirâmide financeira.

 

Uma pirâmide financeira consiste num sistema de ganho em camadas, que também pode ser dividido em níveis hierárquicos, por exemplo: vamos supor que um grupo de 6 pessoas, intitulados “Pilotos”, iniciem o esquema com contribuição de R$ 100,00 cada.  A prerrogativa é que os “Pilotos” ganharão R$ 40,00 para cada novo participante indicado para o esquema, os quais serão chamados de “Co-pilotos”. Em seguida cada “Co-piloto” poderá incluir novas pessoas as quais serão denominados os “Tripulantes”, e o ganho de R$ 40,00 pela indicação será paga tanto para o “Co-piloto”, quanto ao “Piloto”.

 

O esquema segue, de forma que o “Tripulante” poderá incluir novos participantes, o que incluirá uma nova camada no esquema, sendo que os novos participantes poderão trazer outros e assim por diante. Isto é um sistema de pirâmide financeira. 

 

O grande problema deste esquema é que só as primeiras pessoas, ou seja, as hierarquias/camadas mais altas terão ganho, sendo que a grande maioria (mais de 80% das pessoas) terão prejuízo, ou seja, não vão conseguir reaver os R$ 100,00 investidos. Sem contar que chegará um momento que as pessoas não conseguiram convidar mais participantes, pois todos já estão dentro do esquema. Gerando o enriquecimento das primeiras camadas e desmoronamento da pirâmide.

 

Mas e como identificar e não entrar em uma pirâmide financeira? Há duas características neste esquema que não existem em investimentos verdadeiros. A primeira é que o valor investido em uma pirâmide financeira não pode ser resgatado, enquanto investimentos autênticos você consegue reaver o dinheiro investido, ou pelo menos parte dele, através da sua venda, ou solicitação de resgate. A segunda característica é que nenhum investimento pagará uma comissão para que você indique novos investidores, pois a remuneração sempre estará ligada ao valor que aquele investimento gera, e não na quantidade de investidores.

 

Esquema Ponzi

 

O esquema Ponzi foi inicialmente criado por Charles Ponzi no início do século XX, e consiste em captar recursos para realizar determinados projetos, os quais prometem altas rentabilidades. Todavia, ao invés do dinheiro ser investidos nos projetos, este é utilizado para pagar os rendimentos. Sendo assim, os novos integrantes pagam a rentabilidade do dinheiro investido pelos integrantes mais antigos.

 

Da mesma forma que o esquema de pirâmide financeira, o esquema ponzi tende a desmoronar quando não há mais pessoas para entrar no esquema, levando a grande maioria ao prejuízo.

 

E como evitar a participação em um esquema Ponzi? As duas principais características de um sistema Ponzi é a promessa de garantia dos retornos e a alta rentabilidade do recurso investido. Recentemente, vi alguns “investimentos” prometendo rendimentos de 1,5% a 2% ao dia garantidos, mas, se analisarmos o rendimento mais seguro do país, que é o Tesouro Direto Selic, esse está rendendo 5,25% ao ano. Ou seja, através deste comparativo é possível verificar que o investimento proposto está muito longe da rentabilidade praticada no mercado e a única forma deste sobreviver é através do esquema Ponzi.

 

Bolha financeira

 

A última armadilha que trago não é necessariamente um esquema ou uma atividade fraudulenta como os outros, porém, também leva muitos investidores a falência. A primeira grande bolha financeira registrada foi a bolha das Tulipas que ocorreu no início do século XVII em Amsterdã, na Holanda. Na bolha das Tulipas, um bulbo de flor chegou a valer mais que uma casa, e muitos trocaram tudo o que tinham para entrar neste mercado, com a ideia de que ficariam ricos rapidamente. Entretanto, em certo dia o mercado de Tulipas se desestabilizou e o que valia mais que uma casa voltou a valer o preço de uma flor, e muitos perderam tudo o que tinham investido.

 

Como prevenir a entrada em uma bolha financeira? O grande segredo para não entrar em uma bolha financeira é estudar o investimento que tem interesse ao invés de investir apenas porque o preço está subindo ou caindo. Busque entender como aquele investimento gera valor e se o preço que você está pagando por ele é justo. 

 

Muitas vezes você se deparará com bons investimentos, que geram retornos adequados, mas que o preço não compensará estes retornos. Neste momento pense se realmente vale aquele investimento. Outra dica é colocar um pouco de dinheiro em cada investimento, sempre mantendo guardado uma reserva de emergência. O famoso dito popular que fala que não devemos colocar todos os ovos em uma cesta só.

 

Concluindo

 

Espero que a partir de agora fique mais fácil para você identificar e não cair nestas armadilhas de investimentos. Uma dica importante é sempre verificar se o investimento que você está analisando está vinculado à CVM ou a ANBIMA, pois estes órgãos buscam reduzir e combater esquemas e atividades fraudulentas no mercado financeiro.

 

Caso você queira aprender mais sobre este assunto, vou deixar aqui algumas dicas de filmes sobre estas armadilhas:

 

Pirâmide financeira: Documentário “Betting on Zero” de 2016 / Esquema Ponzi: Filme “O Mago das Mentiras” de 2017 / Bolha financeira: Filme “A Grande Aposta” de 2015 e o documentário “Trabalho interno” de 2010.

 

Forte abraço. Até mês que vem. 

 

Luiz Roberto é administrador, especialista em investimentos certificado pela ANBIMA (CEA) e pela APIMEC (CNPI), pós-graduando no MBA em Gestão Financeira: Mercados Financeiros e de Capitais pela FGV e idealizador do projeto Descomplicando as Finanças.

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