Como avaliar a rentabilidade dos investimentos

Escrito por: - Publicado em: 27/07/2021

No mercado financeiro há muitos analistas trazendo diversas fórmulas mirabolantes para analisar e prever a rentabilidade dos investimentos. Muitas destas fórmulas misturam a visão de um investidor com a visão de um especulador. Por isso, resolvi escrever este artigo para expor a minha forma de análise da rentabilidade dos investimentos através do olhar de um investidor de longo prazo.

 

Antes de apresentar as técnicas que utilizo, é preciso destacar que entre os investimentos tradicionais existem três grandes grupos de investimentos. O primeiro grupo é o mais conhecido e utilizado, o qual denomino como investimentos geradores de caixa, ou seja, investimentos que geram dinheiro aos investidores, como os títulos de renda fixa que pagam juros e as ações que pagam dividendos. 

 

O segundo grupo é o de investimentos em valor, como é o caso do ouro, prata, obras de artes e até criptomoedas. Este grupo não gera dinheiro, mas por serem escassos tendem a valorizar ao longo do tempo. E o terceiro grupo de investimentos é uma categoria que contempla as características das duas anteriores, como é o caso dos imóveis/terrenos que tanto geram renda através de aluguéis, quanto podem ser considerados ativos de alto valor, pois cada imóvel é único. Na continuidade abordarei um pouco mais sobre cada grupo e como analisar sua rentabilidade.

 

Geradores de caixa

 

Os investimentos pertencentes ao grupo geradores de caixa, têm como objetivo gerar dinheiro para o investidor, dessa forma, a rentabilidade deve ser avaliada a partir do quanto de dinheiro estes geram. 

 

A avaliação de títulos de renda fixa é simples, basta considerar os juros recebidos, normalmente representados por uma taxa ao ano. Hoje, por exemplo, um título que rende 100% do CDI pagará 4,15% sobre o valor investido ao ano.

 

Já nos investimentos em ações, o cálculo é um pouco mais complexo, pois neste caso há várias formas de analisar. Contudo, prefiro utilizar o indicador Lucro Por Ação (LPA) como valor de geração de caixa. Neste caso, para identificar quanto uma ação está gerando de caixa ao ano, basta dividir o LPA pelo valor da ação, e multiplicar por 100, desta forma teremos a rentabilidade dos últimos 12 meses da ação analisada. Como exemplo, trago abaixo uma lista das principais ações do IBOVESPA, e seus índices de LPA/Preço. Estas informações foram tiradas do site investing.com em 24 de julho de 2021:

 

 

É importante destacar que esta forma simples de análise não leva em conta os fatos não recorrentes, ou seja, situações contábeis extraordinárias que inflam ou reduzem o lucro artificialmente, e nem as projeções de rentabilidades futuras, como também não leva em consideração os riscos de cada negócio. Por isso, é importante estudar a contabilidade e os relatórios administrativos das empresas.

 

Outro fator importante a ser destacado é que no longo prazo os preços das ações tendem a refletir a sua geração de caixa, por isso, em tempos de crise, onde naturalmente há uma redução de dinheiro na economia, consequentemente estes ativos tendem a ficar mais baratos.

 

Investimentos em valor

 

Diferente dos investimentos focados em gerar caixa (dinheiro), os investimentos em valor têm como foco proteger o patrimônio, principalmente em momentos de crise. Este grupo de investimentos não tem seu valor atrelado ao fluxo de caixa (lucro), mas em sua escassez.

 

Além disto, em momentos de crise estes ativos tendem a valorizar, como aconteceu com o ouro no período entre julho de 2019 à outubro de 2020, com valorização mais de 190%, saindo de R$ 180,00 a onça, para R$ 345,00. Atualmente, em 24 de julho de 2021, a onça do ouro está valendo R$ 299,24.

 

Como já citado anteriormente o preço destes ativos está diretamente ligado ao valor que as pessoas dão a estes, como também a sua escassez. Ou seja, se um dia for possível fabricar ouro de forma sintética, sem necessidade de minerá-lo, o preço tende a cair, pois deixa de ser um bem escasso. Da mesma forma acontece com as criptomoedas, pois se de alguma forma for possível hackear o sistema onde estão armazenadas ou são transacionadas, o preço tende a cair, pois perde-se a confiança nesta moeda.

 

Desta forma a avaliação da rentabilidade de um ativo de valor, de forma geral é muito empírico e depende de um estudo para entender como o ativo tem se comportado ao longo do tempo, e o quão escasso ele é. Já no caso das criptomoedas é importante entender como o sistema funciona e quem está por trás dele.

 

Investimentos mistos

 

O único tipo de investimento que conheço neste caso são os imóveis, considerando que é possível obter dinheiro recorrente através de aluguéis e ao mesmo tempo tem esta característica de escassez, pois cada imóvel ou terreno são únicos.

 

Alguns fatos importantes a se destacar neste tipo de investimento é que imóveis de fácil locação tendem a ter um valor maior que outros imóveis semelhantes. Ou seja, a questão de geração de caixa também está ligada ao valor do imóvel.

 

Para analisar este grupo de investimentos é possível utilizar as duas técnicas apresentadas anteriormente. No caso da análise da geração de caixa, esta pode ser aplicada tanto em Fundos de Investimentos Imobiliários (FII), através da divisão dos lucros pagos aos cotistas nos últimos 12 meses pelo valor da cota, quanto em investimento de imóveis físicos, onde se divide o valor do aluguel pretendido, pelo valor de aquisição do imóvel.

 

Já na análise de valor do imóvel, há diversos fatores a serem analisados, contudo, os principais são a análise da sua localização (desenvolvimento econômico, segurança e acesso aos serviços básicos), o seu estado de conservação e se há demanda para aquele tipo de imóvel naquela localização.

 

Concluindo, há diversas formas de analisar o rendimento e a qualidade dos investimentos, porém, optei por apresentar aquelas que utilizo no cotidiano para analisar meus investimentos. Espero que esta forma de análise tenha agregado o conhecimento sobre investimentos.

 

Forte abraço a todos. Até mês que vem.

 

Luiz Roberto é administrador, especialista em investimentos certificado pela ANBIMA (CEA) e pela APIMEC (CNPI), pós-graduando no MBA em Gestão Financeira: Mercados Financeiros e de Capitais pela FGV e idealizador do projeto Descomplicando as Finanças.

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