Como funciona o mercado de ações?

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Quem acompanha o retorno das aplicações financeiras tem visto o bom desempenho das ações neste ano. Até meados de setembro, o Ibovespa, indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro, tem um retorno positivo de mais de 20% no ano. A boa rentabilidade das ações e a manutenção de um cenário de retomada da economia, naturalmente, faz com que aumente o interesse por parte dos investidores, bem como de pessoas que nunca tiveram contato com este universo. Sendo assim, além de entender que o investimento em ações deve ser feito visando o longo prazo, é fundamental saber como funciona o mercado e o papel de cada participante.

 

Investir no mercado de ações é uma excelente opção à disposição de todos para formar um patrimônio para o futuro e, ao mesmo tempo, se tornar sócio de grandes empresas, fornecendo recursos para o seu crescimento. Dessa forma, o mercado de ações contribui para um ciclo virtuoso na economia, pois com mais recursos, as empresas podem aumentar sua produção, gerando empregos e colaborando para o desenvolvimento do país. Todavia, para isso acontecer, é preciso existir um mercado muito bem regulado e fiscalizado, além de uma Bolsa de Valores forte.

 

No Brasil, a responsabilidade pela fiscalização e regulação do mercado de ações é da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, que exige transparência e controles rígidos para o seu funcionamento. A CVM deve garantir a proteção aos direitos do investidor e manter um olhar atento sobre a atuação de todos os participantes e veículos de investimento.

 

Leia mais: Quanto do meu patrimônio devo investir em ações?

 

O principal participante e elemento fundamental para a existência de um mercado de ações desenvolvido é a Bolsa de Valores. No Brasil, todos os negócios são concentrados na B3 (resultado da fusão entre a BM&FBovespa e Cetip), local em que é mantido um sistema de negociação eletrônico capacitado à realização de transações de compra e venda de ações. A Bolsa deve, acima de tudo, preservar elevados padrões éticos de negociação e divulgar com rapidez e detalhamento as operações executadas, de forma que o mercado seja transparente e eficiente.

 

Para participar deste mercado, é necessária a intermediação de uma corretora de valores. Somente as corretoras estão habilitadas a executar operações de compra e venda de ações, a partir das ordens recebidas de seus clientes.

 

Como corretores de imóveis, as corretoras de valores mobiliários executam as operações recebendo uma comissão/corretagem pelo seu serviço. Com o objetivo de ampliar a presença das corretoras fora das grandes cidades, criou-se ainda a figura do Agente Autônomo de Investimento (AAI), profissional que representa as corretoras, aproximando-as dos investidores. Sua remuneração é proveniente da divisão da comissão/corretagem recebida das operações efetuadas por seus clientes junto à corretora que representam. Neste ponto, cabe um esclarecimento sobre até que ponto vai a atuação destes profissionais.

 

Uma dúvida muito comum entre os investidores, principalmente aqueles que não possuem tempo suficiente para acompanhar o mercado de ações, é se as corretoras ou AAI podem administrar suas carteiras, ou seja, decidir quais ações comprar ou vender, sem a sua autorização. A título de exemplo, seria como se o seu corretor imobiliário pudesse comprar e vender imóveis com o seu dinheiro sem avisá-lo.

 

Portanto, é importante salientar que estes participantes não estão autorizados a exercer esta função. Seu papel é apenas executar as ordens provenientes de decisões transmitidas por seus clientes ou por um administrador de carteiras, este sim um profissional habilitado para cumprir este papel. O administrador de carteiras ou gestor de recursos, por sua vez, são responsáveis pela pesquisa, análise e tomada de decisão, seguindo a política de investimento definida para as carteiras que administram. Ou seja, têm autonomia para decidir quando e quais ações comprar e vender e transmitir suas decisões à corretora, responsável por executá-las. Os gestores podem ser independentes ou vinculados a um banco, são autorizados pela CVM e administram Carteiras Administradas (pessoas físicas e jurídicas), Clubes de Investimento e Fundos de Investimento.

 

Por fim, existe a figura do custodiante, responsável pela liquidação financeira, guarda dos ativos e administração dos proventos (dividendos, juros sobre capital próprio, etc.) associados às ações. O custodiante atua de forma independente dos demais participantes trazendo mais segurança e transparência ao processo de investimento em ações. Independentemente dos intermediários ou administradores utilizados, as ações sempre ficam custodiadas em nome dos investidores, donos finais das ações.

 

Entender o funcionamento do mercado de ações e o papel de cada participante é fundamental para realizar investimentos de forma segura e consciente. Planeje e seja feliz!

 

*Renan Lima é sócio da Alphamar Investimentos, graduado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo e Planejador Financeiro CFP®. Embaixador no Espírito Santo da Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros). Membro do Cindes (Federação das Indústrias do Espírito Santo), Instituto Líderes do Amanhã e Laboratório Estudar, programa de formação de lideranças da Fundação Estudar. Também atuou no Financial Times Group – Merger Market – em Londres, Inglaterra, e foi Trainee nas Lojas Riachuelo S.A.

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