Entrevista – Construa uma carreira de sucesso desde a entrevista de emprego!

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Você já teve dúvidas sobre como se portar e o que dizer numa entrevista de emprego? E um aumento salarial, como você pede ao seu chefe? São situações delicadas e cruciais na vida profissional, pelas quais todos já passaram – ou ainda irão passar. É muito importante saber como proceder nestes e em outros momentos, que podem ser decisivos! Justamente por isso, o funcionário e o mercado de trabalho foram o foco da nossa entrevista com o Diretor da Faculdade de Tecnologia Senac de Criciúma (SC), Alexandre Bevilacqua Meneguetti, que você confere a seguir.

Organizze – Sempre ouvimos falar que fazer o que se gosta é o caminho para se ter sucesso na carreira. Ser apaixonado pelo que se faz realmente basta?

 Alexandre – Quando se fala em ter sucesso na carreira, fala-se, na verdade, de um conjunto de fatores; um conjunto de questões diferentes. Um destes fatores para se ter sucesso na carreira é gostar do que faz.

Não adianta apenas gostar do que eu faço, se não existe espaço no mercado; se eu não tenho competência técnica pra aquilo; se eu não estou qualificado para aquilo. Por exemplo, eu adoro Medicina, mas não tenho habilidade nenhuma para Medicina, logicamente que neste caso, eu deverei me qualificar. Ou, numa outra situação, eu estou numa região em que o mercado para determinada função está saturado. Então, eu devo procurar outra alternativa mesmo que eu adore o que eu faça. Esta alternativa pode não ser mudar de profissão, mas de fazer algo de forma diferente, criar diferenciais.

Por isso, eu afirmo que se trata de um conjunto de questões. Agora, por mais que eu esteja preparado, que eu tenha competências, habilidades, valores, atitudes para determinada função, e se é um mercado que valoriza determinado profissional – valoriza no sentido salarial também – se eu não gostar daquilo que faço, não tem jeito. Se eu não gostar do que faço, não acredito num resultado de médio ou longo prazo, não acredito em satisfação duradoura sem prazer no que se faz. Porque, no curto prazo, mesmo que eu não goste do que faço, o salário pode me satisfazer, mas será momentâneo. Daqui a um ano, um ano e meio, este salário não será mais suficiente; minha vida já se adaptou a aquilo que eu recebo e então nada mais me resta no sentido de recompensa por estar fazendo o que eu não gosto.Sem dúvida, me sentirei desmotivado.

 Organizze – Você falou em habilidades. Se a pessoa não tiver determinadas habilidades para a função, elas podem ser desenvolvidas?

Alexandre – Podem sim. Este, inclusive, é um dos grandes objetivos da educação profissional. Na educação profissional, nós temos diversos exemplos de alunos que entram numa determinada área com a qual nunca tiveram contato: área da gestão, da moda, da informática…

A educação profissional permite que o candidato vá para rumos completamente diferentes do que pensou antes de ingressar no curso. Eu digo que esta é a magia da educação profissional: é um ensino por competência que trabalha um conjunto de fatores e de atitudes de cada pessoa, junto da habilidade que desenvolve em determinada competência.

Organizze – É muito cedo para um adolescente ter que decidir aos 17 ou 18 anos o que fazer no resto de sua vida profissional. Da mesma forma, tem pessoas que mesmo aos 30 não descobriram. Que tipos de testes ou cursos a pessoa deve procurar para se encontrar profissionalmente?

Alexandre – Hoje nós temos um cenário em que, cada vez mais cedo, os filhos são inseridos em atividades profissionais. Cabe à família observar o universo do filho e reparar as habilidades que ele têm, o que mais chama a atenção dele em suas rotinas, quais as facilidades que ele naturalmente possui e que podem vir a se transformar numa prática de trabalho futuramente. Os pais têm este papel norteador nesse sentido.

Na educação profissional, há várias alternativas, como os programas de aprendizagem, que atende a uma lei federal e o Senac desenvolve. Os programas de aprendizagem possibilitam que o aluno, a partir dos 14 anos, tenha a sua primeira experiência profissional durante meio período, registrado em carteira de trabalho. É um grande laboratório gratuito e ainda é remunerado pela empresa. Os programas de aprendizagem são um claro exemplo de experimentação da profissão antes mesmo do ingresso efetivo no mercado do trabalho, o que irá nortear, de forma clara e prática quanto ao rumo profissional do jovem. É importante dizer que durante o programa, os jovens trabalham nas empresas da região, com possibilidade de efetivação ao término do programa.

Organizze – Hoje em dia as características pessoais do candidato contam muito numa contratação. Como se portar numa entrevista de emprego? O que se deve evitar e o que é fundamental fazer?

Alexandre – No site do Senac, há um espaço exclusivamente dedicado a informações sobre entrevista de emprego, tamanha importância do tema, dentro do assunto mercado de trabalho. Inclusive este espaço conta com a divulgação de vagas de emprego, servindo como uma porta de entrada para o aluno se oferecer e, da mesma forma, as empresas localizarem os candidatos.

No link Banco de Oportunidades, há uma série de dicas e uma delas é que a entrevista de emprego na verdade inicia já a partir do momento em que o candidato entra na empresa. Tudo é observado, como ele se porta, a pontualidade, como ele aperta a mão, se olha no olho no momento de se apresentar… É importante, também, que o candidato conheça a empresa na qual pretende ingressar como funcionário. Acesse o site da empresa para conhece-la. Ele deve ser curioso, deve ser verdadeiro. Naquele momento da entrevista, há uma semelhança com uma situação de venda, portanto, deve-se mostrar motivação, brilho nos olhos, deve-se entregar um currículo que corresponda de fato à realidade da pessoa. Ao sair de casa para uma entrevista, olhe-se no espelho e pergunte: “eu contrataria este profissional?”. Este conjunto é essencial para a conquista de espaço dentro desta empresa que se buscou.

Organizze – Sempre o candidato tecnicamente mais preparado é o escolhido para a vaga, ou existem outros fatores decisivos?

Alexandre – Pode-se dizer que, num processo seletivo, não é o melhor que ganha a vaga, mas sim o que mais se adapta ao perfil da vaga que a empresa está divulgando. A pessoa que irá ocupar a vaga pretendida tem que ter o perfil mais adequado para aquela função. Na verdade, estamos falando de um conjunto de fatores que influenciam na escolha deste ou daquele candidato, que envolvem a vestimenta do candidato, a motivação que ele apresenta, a postura, mas, também, com o mesmo peso, as experiências profissionais do candidato, o que ela conhece daquela função na qual está pretendendo trabalhar e, ainda, o que influencia e como o candidato se porta nas diversas situações que são simuladas no momento da entrevista de emprego.

Organizze – Qual é o melhor momento de pedir um aumento de salário? Existe um prazo determinado para isto?

Alexandre – O que ocorre é que os jovens não têm tido a mesma paciência e não têm enxergado as situações e oportunidades a longo prazo. Geralmente, o que se nota é que, ele fica um curto período na empresa, e, se não mudar nada ou na questão salarial ou ascensão na função, este jovem começa a se sentir motivado a buscar novos desafios. Em um curto espaço de tempo, ainda não deu tempo de acompanhar os resultados do trabalho que este colaborador prestou. O recado que eu daria a esta nova geração é: o aumento de salário ou crescimento vem com o resultado.

É importante também que se observe o cenário da empresa. Se ela estiver passando por um momento delicado, não adianta falar em aumento de salário naquela hora. Receber um “não” pode adiar um novo momento de abertura para uma outra conversa sobre o assunto.

É preciso observar os resultados individuais e coletivos, e é preciso que a empresa esteja em pleno desenvolvimento para que se verifique uma abertura para esta conversa sobre aumento salarial resumidamente, observe o momento certo, mas não apenas peça, mas apresente seus resultados alcançados.

O cenário econômico e político do país também pode influenciar estas questões. Normalmente, em momentos de incerteza, as empresas buscam segurar os aumentos e promoções.

Organizze – Quais são os erros mais cometidos pelo funcionário recém-chegado na empresa, e pelo que já é veterano nela?

Alexandre – Não se pode rotular. Há veteranos que parece que entraram ontem, e, da mesma maneira, existem os novatos cansados, parecendo estarem há tempos naquela empresa. A minha postura profissional é a seguinte: eu prefiro ter que orientar uma pessoa empolgada e motivada, que vem cheia de ideias e vontade de fazer as coisas já, agora, do que ter que ficar animando e motivando aquele funcionário que fica muito na sua, raramente participa ou dá ideias, está sempre dando sinais de cansaço, está sempre desmotivado e inerte a qualquer situação.

A liderança daquele grupo de colaboradores também é um fator que influencia bastante sobre cada profissional. Aqui, por exemplo, nós temos quatro núcleos com quatro coordenações diferentes. Se eu tiver algum líder de equipeindiferente às situações, que não tem o perfil de participação e motivação, este líder certamente terá uma equipe que acompanhará este perfil, e aos poucos, esta equipe entrará em uma rotina operacional sem pensar em melhorias, e com o risco de não atender o cliente interno e externo como nós desejamos, ou melhor, como o cliente de hoje deseja. E o contrário também acontece: um coordenador motivado, empolgado, cheio de ideias e bem participativo certamente irá apresentar uma equipe aberta a novas possibilidades, que sugere e supera, que se desafia,independentemente de ter funcionários novatos ou veteranos. Desta forma, falar em perfil de colaboradores hoje é, também, analisar o perfil de suas lideranças.

  • Alexandre, nós recebemos algumas perguntas realizadas pelos usuários do Organizze. Vamos a elas:

Organizze – A Vânia Maria Silva, de São José, Santa Catarina, diz que adora o seu atual emprego, mas se vê ameaçada por colegas mais novos. Neste caso, cursos de atualização e treinamentos podem servir para ela estar sempre a par das novidades na sua área de atuação, não é?

Alexandre – Se você confiar em você mesmo, nada irá lhe ameaçar. Não sei ao certo qual é a atividade da Vânia, mas se ela gostar do que faz, estiver motivada, gostar do cliente, gostar de atender, e buscar estar atualizada quanto as técnicas e ferramentas de sua função, por exemplo, nada poderá ameaça-la, nem mesmo alguém mais jovem ou novo no cargo. Se ela ficar preocupada com o outro, o que o outro está lendo, como o outro faz, ela perderá o foco que realmente interessa. Tem pessoas que perdem muito tempo escondendo informação, colocando senhas em tudo e agindo como se o colega fosse um concorrente… Tire o foco do outro e pense na sua atividade e que ela deve gerar resultados para sua empresa. Veja os outros como parte de sua equipe…isso é um exercício que trará resultados e dará mais segurança para você. Riscos existem em qualquer empresa e há inúmeras palestras, cursos gratuitos e pagos sendo oferecidos, que nos manterão atualizados, e competitivos. Devemos estudar sempre e manter o foco nos seus próprios objetivos dentro da empresa.

Organizze – O Joaquim Coelho, de Sorocaba, em São Paulo, nos escreveu pedindo um auxílio: gosto muito do que faço hoje em dia e a minha equipe de trabalho é excepcional, porém recebi uma proposta de emprego para ganhar muito mais numa outra área de atuação. Não sei exatamente o que avaliar, além do melhor salário.

Alexandre – Vou citar como exemplo o atleta Neymar. Ele ficou durante anos no Santos, ainda que tivesse a possibilidade de ter salários maiores no exterior. Por que ele não foi logo de cara? Houve um motivo, houve um estudo e uma razão para não ir ganhar milhões lá fora. Eu precisaria ter mais dados para orientar com precisão o Joaquim, mas dá para afirmar que a decisão de forma alguma deve ser apenas o salário maior. Isto será motivador apenas a curto prazo. Deve-se avaliar detalhes da nova função, da história da empresa, dos desafios que o novo emprego irá oferecer, do perfil da liderança que a pessoa terá; se terá a mesma liberdade do atual emprego e dependendo da função se terá o mesmo poder de decisão, entre outros fatores, que estão muito além da questão salarial. Se você tem algumas destas respostas que dão mais segurança em sua decisão, o risco é bem menor.

Organizze – A Sabrina Faria, de Rondonópolis, Mato Grosso, diz que está há 5 anos na mesma função e não tem perspectiva de crescimento na empresa, porém ela adora o que faz, mas gostaria de crescer profissionalmente e salarialmente. Devo procurar emprego em outro lugar?

Alexandre – Esta é uma decisão muito particular, Sabrina. Tem pessoas que gostam da mesma função a vida toda, porque a própria pessoa se desafia com outras coisas. E a nossa vida não é só trabalho. Agora, se este objetivo de crescimento na empresa é primordial e a empresa não oferece esta oportunidade, então provavelmente você deve procurar outro local para trabalhar, porque, se o foco é este, você irá se desmotivar a médio prazo.

É preciso avaliar, porém, se realmente a empresa não oferece esta possibilidade. Muitas empresas desconhecem as próprias possibilidades internas, por desconhecer o fato de que precisam de determinados projetos, apenas porque nenhum colaborador nunca o desenvolveu e mostrou sua efetiva necessidade de aplicação dentro daquela empresa. As pessoas devem criar oportunidades para elas mesmas, estudando muito, trazendo sugestões e novas ideias. Muitas vezes esta atitude é crucial. Por exemplo: sua empresa já participou de algum prêmio estadual ou nacional? E se você estudar e propor isso aos gestores? Dependendo dos resultados, o que isso pode proporcionar a você dentro de sua empresa?

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Organizze entrevista: Gustavo Cerbasi
Por Equipe Organizze
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