Ibovespa: conheça o termômetro do mercado de ações

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Existe um indicador apresentado por todos os meios de comunicação do Brasil, muitas vezes pouco compreendido pelos investidores: o Índice Bovespa ou simplesmente Ibovespa. Diariamente, o investidor se depara com tal índice e com sua variação, e não sabe profundamente seu significado e função. Sendo assim, contarei a sua história e objetivo.

 

Como em qualquer atividade, a existência de indicadores é fundamental para melhor analisar o desempenho. No mercado de ações, não é diferente. No Brasil, por exemplo, existem mais de 300 empresas listadas em Bolsa e para acompanhar o desempenho de suas ações e, por consequência, do mercado como um todo, o ideal seria medir a oscilação dos preços de todas as ações cotadas. Entretanto, com o objetivo de simplificar o processo de análise, criam-se os índices, que agrupam um número menor e seleto de ações que representam todo o mercado. Desta forma, é importante entender mais profundamente como chegamos aos índices no mercado acionário.

 

Os índices são indicadores de desempenho de um conjunto de ações, ou seja, mostram a valorização de um determinado grupo de papéis ao longo do tempo. Os índices são compostos por ações que se enquadram dentro de critérios de seleção estabelecidos previamente. Cada índice possui um conjunto de critérios próprio e, por este motivo, as ações que os compõem se diferenciam de um índice para o outro.

 

Os critérios de seleção são estabelecidos a partir do objetivo proposto para o índice. Por exemplo, um índice que tenha como objetivo acompanhar a variação das ações de empresas do setor imobiliário, naturalmente, terá como critério de seleção a inclusão apenas de ações de empresas que atuem na construção, incorporação, vendas e/ou aluguel de imóveis.

 

Sabendo que os índices são compostos por ações de diferentes empresas, fica claro que o que está por trás da variação destes indicadores são os preços dessas ações. Em todo o mundo, o mercado acionário funciona como um mercado de avaliação de empresas de diferentes áreas de atuação e, portanto, diariamente, temos a partir do preço de suas ações, o valor total dessas empresas. Nesse sentido, é importante entender o que pode motivar a variação dos preços de suas ações.

 

Os preços podem variar por fatores relacionados à empresa, como o seu desempenho no mercado de atuação, o aumento ou a redução de seus lucros, a ampliação da produção ou dos serviços oferecidos, investimentos, etc., ou por fatores externos, domésticos e internacionais, como o crescimento econômico, o nível da taxa de câmbio e de juros. Assim, as várias ações de um índice podem apresentar um comportamento diferente no mesmo período, algumas podem subir e outras cair. Por isso, quando ouvimos dizer que um determinado índice subiu ou caiu, significa que, em média, as ações que compõem esse índice sofreram uma valorização ou uma desvalorização.

 

O Ibovespa é o mais importante indicador do desempenho médio das cotações do mercado de ações brasileiro. Sua relevância advém do fato de que ele retrata o comportamento dos papéis mais negociados na bolsa de valores brasileira, a B3, e também de sua tradição, pois o índice manteve a integridade de sua série histórica e sofreu poucas modificações metodológicas desde sua implementação em 1968.

 

O índice representa o valor atual, em moeda corrente, de uma carteira teórica de ações constituída em 02/01/1968 (valor base: 100 pontos), a partir de uma aplicação hipotética. Supõe-se que neste período não foi efetuado nenhum investimento adicional, considerando-se somente os ajustes efetuados em decorrência da distribuição de proventos (dividendos, etc) pelas empresas. Dessa forma, o índice reflete não apenas as variações dos preços das ações, mas também o impacto da distribuição dos proventos, sendo considerado um indicador que avalia o retorno total de suas ações componentes.

 

Sua carteira é composta por ações que atendem cumulativamente aos seguintes critérios de inclusão:

 

→ Estar entre os ativos elegíveis que, no período de vigência das 3 (três) carteiras anteriores, em ordem decrescente de Índice de Negociabilidade (IN), representem em conjunto 85% (oitenta e cinco por cento) do somatório total desses indicadores.

 

→ Ter presença em pregão de 95% (noventa e cinco por cento) no período de vigência das 3 (três) carteiras anteriores.

 

→ Ter participação em termos de volume financeiro maior ou igual a 0,1% (zero vírgula um por cento), no mercado à vista (lote-padrão), no período de vigência das 3 (três) carteiras anteriores.

 

→ Não ser classificado como “Penny Stock”

 

A participação de cada ação na carteira, portanto, tem relação direta com a representatividade desse título no mercado à vista – em termos de número de negócios e volume financeiro. Deve-se ressaltar que companhias que estiverem sob regime de recuperação judicial, processo falimentar, situação especial ou sujeitas a prolongado período de suspensão de negociação não integram o Ibovespa.

 

A carteira tem vigência de quatro meses, vigorando para os períodos de janeiro a abril, maio a agosto e setembro a dezembro. Ao final de cada período, a carteira é reavaliada utilizando-se os procedimentos e critérios de sua metodologia. Nas reavaliações, identificam-se as alterações na participação relativa de cada ação no índice, bem como sua permanência ou exclusão, e a inclusão de novos papéis.

 

A finalidade básica do Ibovespa é a de servir como indicador médio do comportamento do mercado de ações de empresas negociadas no Brasil. Ele é conhecido como o termômetro do mercado acionário brasileiro. Para tanto, sua composição aproxima-se o máximo possível da real configuração das negociações à vista. Em termos de liquidez, as ações integrantes de sua carteira respondem por mais de 80% do número de negócios e do volume financeiro verificados no mercado à vista (lote-padrão). Em fevereiro de 2018, as empresas que faziam parte do Ibovespa, 61 na época, somavam o valor de mercado de R$ 2,9 trilhão.

 

A própria Bolsa é responsável pela gestão, cálculo, difusão e manutenção do índice. Além do Ibovespa, existem outros índices amplos no mercado de ações brasileiro, são eles: Índice Brasil 50 (IBrX-50) e Índice Brasil 100 (IBrX-100) , composto por 50 e 100 ações, selecionadas entre as mais negociadas em termos de liquidez, respectivamente. Há ainda os índices de segmentos específicos como: Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), Índice Setorial de Telecomunicações (ITEL), Índice de Energia Elétrica (IEE), Índice do Setor Industrial (INDX), Índice de Consumo (ICON), Índice Imobiliário (IMOB), Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC), Índice de Ações com Tag Along Diferenciado (ITAG), Índice Mid-Large Cap (MLCX), Índice Small Cap (SMLL), Índice Valor Bovespa (IVBX- 2) e Índice Financeiro (IFNC).

 

Conhecendo o termômetro do mercado de ações você pode acompanhar sua evolução e o seu desempenho, sendo uma alternativa de investimento em sua carteira. Planeje e seja feliz!

 

*Renan Lima é sócio da Alphamar Investimentos, graduado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo e Planejador Financeiro CFP®.

 

Embaixador no Espírito Santo da Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros). Membro do Cindes (Federação das Indústrias do Espírito Santo), Instituto Líderes do Amanhã e Laboratório Estudar, programa de formação de lideranças da Fundação Estudar. Também atuou no Financial Times Group – Merger Market – em Londres, Inglaterra, e foi Trainee nas Lojas Riachuelo S.A.

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