Juros a 7%, e agora?

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Enfim chegamos à menor taxa de juros da série histórica do Banco Central, em pouco mais de 30 anos. Essa foi a décima redução seguida na Selic, com grande probabilidade de diminuir ainda mais na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Mantido o cenário benigno de inflação baixa e agenda de reformas, podemos caminhar para novas reduções e manutenção de uma taxa de referência baixa por um longo período. Diante desse cenário, a pergunta que fica na cabeça dos investidores é: e agora, o que eu faço?

 

Vale ressaltar que, apesar do recuo da Selic, o Brasil tem ainda a quarta maior taxa real de juros (descontada a inflação) do mundo. Segundo levantamento do site MoneYou e da Infinity Asset Management a taxa real brasileira é de 2,88%, menor que a da Turquia (5,87%), Rússia (4,18%) e Argentina (3%), porém, maior que a verificada em outros 36 países.

 

O investidor brasileiro, acostumado a ganhos nominais de 1% ao mês, se verá numa encruzilhada ao ter que se adaptar a retornos mais baixos ou começar a alocar em ativos de maior risco, que inevitavelmente sofrem oscilações. Daí a importância de começar a entender a vantagem de uma carteira diversificada e as diferentes classes de ativos que podemos alocar nosso patrimônio.

 

O principal objetivo de uma carteira diversificada é o equilíbrio. Através de uma alocação em diferentes classes de ativos, busca-se uma maior eficiência da carteira, ao avaliar o retorno, risco e correlação dos ativos. Aplicando na construção da carteira o conceito de fronteira eficiente, idealizado por Harry Markowitz, tem-se uma carteira ótima, com uma melhor relação risco x retorno do  que a de um ativo isolado.

 

Para tanto, são utilizados diferentes classes de ativos de forma a compor a carteira ideal. A “receita” pode mudar a depender dos objetivos pretendidos para uso dos recursos e o risco desejado. As principais classes utilizadas no Brasil são as seguintes:

 

Renda Fixa Pós: títulos indexados a uma taxa de juros de referência, que pode sofrer alterações ao longo do tempo. Tem como índice de referência o CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

 

Renda Fixa Pré: títulos que garantem uma taxa de juros pré-estabelecida até a data de seu vencimento. Têm como índice de referência o IRF-M (Índice de Renda Fixa do Mercado).

 

Renda Fixa inflação: títulos que garantem a inflação mais uma taxa de juros pré-estabelecida até a data de seu vencimento. Têm como índice de referência o IMA-B (Índice de Mercado Anbima).

 

Multimercados: fundos que contam com uma gestão profissional e dinâmica, que buscam, através de diferentes estratégias, o crescimento do patrimônio. Têm como índice de referência o chamado IFMM (Índice de Fundos Multimercados).

 

Ações: títulos de empresas abertas que garantem uma parcela do seu capital social e participações nos resultados. Têm como índices de referência os chamados Ibovespa (Índice da Bolsa de Valores de São Paulo) e o IBRX (Índice Brasil).

 

Em resumo, se desejarmos ter uma rentabilidade maior sobre o patrimônio, em um cenário de juros mais baixos, teremos que seguir a velha máxima de “não colocar todos os ovos na mesma cesta”, iniciando um processo de diversificação, de forma a estarmos mais protegidos e bem posicionados. Planeje e seja feliz!

 

*Renan Lima é sócio da Alphamar Investimentos, graduado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo e Planejador Financeiro CFP®. Embaixador no Espírito Santo da Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros). Membro do Cindes (Federação das Indústrias do Espírito Santo), Instituto Líderes do Amanhã e Laboratório Estudar, programa de formação de lideranças da Fundação Estudar. Também atuou no Financial Times Group – Merger Market – em Londres, Inglaterra, e foi Trainee nas Lojas Riachuelo S.A.

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