Saiba tudo sobre os Investimentos Sustentáveis!

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Vivenciamos mundialmente uma tendência sem volta de grande procura por parte dos consumidores por produtos e/ou serviços de empresas consideradas socialmente responsáveis e sustentáveis. Esta tendência iniciou-se também junto aos investidores já há alguns anos que, além de exigirem que as empresas sigam políticas sustentáveis de gestão, também esperam que estas sejam rentáveis para aplicar seus recursos, fechando, dessa forma, o ciclo de sustentabilidade econômica.

 

O conceito de sustentabilidade está relacionado a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade. Segundo o Relatório de Brundtland (1987), sustentabilidade é: Suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas”. Para uma atividade ser sustentável, precisa ter em vista 4 requisitos básicos: ser ecologicamente correta, economicamente viável, socialmente justa e culturalmente aceita.

 

Tais investimentos, denominados “investimentos socialmente responsáveis” (SRI), consideram que empresas sustentáveis geram valor para o acionista no longo prazo, pois estão mais preparadas para enfrentar riscos econômicos, sociais e ambientais. A demanda por esse tipo de investimento veio se fortalecendo ao longo do tempo e hoje é amplamente atendida por vários instrumentos financeiros no mercado internacional.

 

O mercado mais desenvolvido de investimentos em “SRI” é os EUA. Os primeiros fundos de investimento com esse foco surgiram no país em meados da década de 80. Ao longo dos anos, o mercado americano aprimorou e desenvolveu novos produtos com estas características e o montante de investimento envolvido com “SRI” cresceu muito. De acordo com o relatório de 2016 da US SIF Foundation, fórum de investimentos sustentáveis e responsáveis, US$ 8.72 trilhões são investidos nos EUA seguindo os princípios SRI, o que representa 20% do total da indústria americana.

 

Visto o sucesso internacional, demandou-se da BM&FBovespa a criação de um índice de ações brasileiro com estas características, composto somente por empresas que se destacassem em responsabilidade social e sustentabilidade. A Bolsa decidiu que, dadas as características especiais desse indicador, a sua criação seria o resultado de um trabalho conjunto entre a Bolsa e um grupo de entidades, formada por representantes da própria Bolsa, Associações e ONGs.

 

Dessa parceria, nasceu em 2005 o índice de ações que se tornou referência para os investimentos socialmente responsáveis e sustentáveis no país, o ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial. A BM&FBovespa é responsável pelo cálculo e pela gestão técnica do índice. O ISE tem como missão refletir o retorno de uma carteira composta por ações de empresas com reconhecido comprometimento com a responsabilidade social e a sustentabilidade empresarial, e também atuar como promotor das boas práticas no meio empresarial brasileiro.

 

A seleção das empresas que compõem o índice é feita após a análise de um questionário enviado às empresas pré-selecionadas, aquelas com as 200 ações mais negociadas na Bolsa, e envolve a avaliação de seu desempenho a partir de elementos ambientais, sociais e econômico-financeiros de forma integrada. O conselho responsável pela escolha das empresas seleciona as com melhor classificação. Dentre os itens avaliados estão, principalmente, o relacionamento com empregados e fornecedores, relacionamento com a comunidade, governança corporativa e impacto ambiental de suas atividades. A revisão da carteira se dá anualmente.

 

Segundo a Bolsa, existem dois perfis de investidores que optam por investir apenas em empresas que fazem parte deste índice. Os Pragmáticos, que compram ações de empresas porque acreditam que essas companhias têm mais chances de permanecerem produtivas pelas próximas décadas e que sofrerão menos passivos judiciais, com ações ambientais, trabalhistas e sociais. E os Engajados que, por comprometimento pessoal, decidem privilegiar as empresas que atuam de forma sustentável, com respeito a valores éticos, ambientais e sociais. Estes investidores não querem se envolver com empresas que poluem ou que têm problemas com direitos humanos. Eles estão dispostos a pagar um valor maior pela ação de empresas que privilegiam três pilares de sustentabilidade: econômico, ambiental e social.

 

A existência de um índice com tais características demonstra o grau de desenvolvimento atingido pelo mercado de capitais brasileiro. Através desta iniciativa, o Brasil não fica atrás de nenhum país ao reconhecer e incentivar as empresas listadas em Bolsa a buscarem continuamente políticas de gestão sustentáveis que contribuam para um desenvolvimento mais justo e responsável na sociedade que estão inseridas.

 

Planeje e seja feliz!

 

*Renan Lima é sócio da Alphamar Investimentos, graduado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo e Planejador Financeiro CFP®.

 

Embaixador no Espírito Santo da Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros). Membro do Cindes (Federação das Indústrias do Espírito Santo), Instituto Líderes do Amanhã e Laboratório Estudar, programa de formação de lideranças da Fundação Estudar. Também atuou no Financial Times Group – Merger Market – em Londres, Inglaterra, e foi Trainee nas Lojas Riachuelo S.A.

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