Seu dinheiro da reserva diminuiu? O meu também! Entenda o motivo!

Escrito por:

Você que, assim como eu, investe a sua reserva de emergência em Fundos DI (Selic) ou diretamente no título Tesouro Selic, através do Tesouro Direto, deve ter tomado um susto no último mês, com o retorno negativo desta aplicação.

 

Conforme o gráfico abaixo, que demonstra o preço de compra do título Tesouro Selic 2025 nos últimos 90 dias, a partir de 11 de setembro, o preço do título começou a sofrer uma queda (desconto), chegando a mínima em 07 de outubro, impactando a posição daqueles que possuem o título. No período considerado, a queda foi de 1,32%. Este é um comportamento bem diferente do habitual deste título, considerado o mais seguro do país e recomendado por 10 entre 10 especialistas para manutenção da reserva de emergência.

 

 

Contudo, se analisarmos o preço de negociação do mesmo título em um período maior de tempo, desde fevereiro de 2019, identificamos que há um retorno histórico crescente, formando uma linha reta ascendente, mesmo quando consideradas as quedas recentes da taxa Selic, até chegarmos ao momento atual de desconto.

 

 

Nesse cenário, as perguntas que ficam são: qual o motivo da queda? O Tesouro Selic continua sendo o melhor investimento para a minha reserva de emergência?

 

Qual o motivo da queda?

 

O principal motivo para queda no preço dos títulos (desconto) se deve à preocupação com o aumento da dívida pública e a manutenção do compromisso com a responsabilidade fiscal. Em virtude das iniciativas ligadas à pandemia, nos últimos meses ocorreu um aumento no déficit das contas e o Tesouro Nacional se viu diante da necessidade de buscar mais financiamento, aumentando a emissão de títulos. 

 

O ambiente de baixa taxa de juros (Selic: 2% ao ano), mesmo diante de um quadro deteriorado das contas e discussões sobre a manutenção do teto dos gastos (“Fura teto”), provocaram insegurança no mercado, que passou a exigir prêmios maiores e a aplicar um desconto aos títulos negociados. Ou seja, o mercado passou a não aceitar um retorno de 2% ao ano para financiar a dívida pública, o que pode ser algo momentâneo ou se intensificar, a depender da mensagem e iniciativas do governo diante das discussões sobre o teto dos gastos. É como emprestar dinheiro a uma família que necessita de recursos para fechar suas contas, mas não toma iniciativa para mudar o estilo de vida e cortar os gastos, por exemplo. Qualquer um que emprestasse o seu dinheiro para esta família exigiria um retorno maior, pois ficaria preocupado se receberia seu dinheiro de volta.

 

Isso posto, partimos para segunda parte da resposta.

 

Mantenho minha reserva no tesouro Selic?

 

Olhando pelo prisma da segurança, ou seja, risco de crédito, que seria o risco de não receber o seu dinheiro rentabilizado na data de vencimento, o tesouro Selic continua sendo o investimento mais seguro do país. Por se tratar de uma dívida de um país (Soberana), considera-se que o governo teria instrumentos para aumentar os impostos ou reduzir as despesas para cumprir as obrigações da dívida. Falo um pouco mais sobre isso neste artigo.

 

Ainda assim, temos o risco de mercado, relacionado ao preço dos títulos negociados (valor de mercado), que impactam as posições diárias e o saldo de resgate, em caso de saída. Em situações de apreensão, como a atual, temos um desconto no preço dos títulos e quem solicita o resgate é impactado. Como na reserva de emergência não temos certeza de quando o recurso será utilizado, temos o dilema de aguardar a tempestade passar ou retirar imediatamente e buscar uma alternativa que não sofra desvalorizações a curto prazo. Para tanto, é importante acompanhar a expectativa do mercado para avaliar a melhor decisão a tomar.

 

Atualmente, acredita-se que a situação se amenize e os títulos passem a ser negociados ao valor justo, sem desconto, à medida em que o governo brasileiro der sinais de que manterá o compromisso com a responsabilidade fiscal. Porém, sabemos que o Brasil é uma caixinha de surpresas e, caso as iniciativas do “Fura teto” vençam, a situação tende a se agravar. Diante desse quadro, se não quiser sofrer com o risco de mercado, a alternativa seria buscar títulos privados (CDB etc.) com liquidez diária garantida pela própria instituição, que também funcionam para manter os recursos da reserva de emergência. Planeje e seja feliz!

 

Por Renan Lima | Graduado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo, Especialista em Economia Comportamental pela ESPM e Planejador Financeiro CFP®. Atuou no Financial Times Group – Merger Market, em Londres, Inglaterra e Trainee nas Lojas Riachuelo S.A.. Foi membro do Instituto Líderes do Amanhã, Cindes Jovem (entidade sem fins lucrativos do Sistema FINDES), Laboratório Estudar, programa de formação de lideranças da Fundação Estudar e Professor na Fucape Business School, entre as 10 melhores faculdades do país. Atualmente, é sócio da Alphamar Investimentos, Embaixador e membro da Comissão de Advocacy da Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros).

Categorias:

Achamos que você vai gostar desses posts, também.

Quantos % do meu salário devo investir?
Por Equipe Organizze
Quem são os quase 3 milhões de investidores na Bolsa?
Por Alphamar Investimentos
CFD: o que é e como utilizar nas finanças pessoais?
Por Equipe Organizze
5 passos para escolher o melhor investimento
Por Alphamar Investimentos
Sinta a felicidade de estar no controle de suas finanças

Cadastre-se grátis, e veja sua vida financeira mudar a partir de hoje.

Organizze

Faça como mais de 50 mil organizzados! Receba GRÁTIS em seu email centenas de artigos e dicas para manter suas finanças em ordem (e a newsletter mais legal do Brasil!!).